A ASNAB, a Federação Nacional dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Fenadsef) e a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) enviaram às campanhas dos candidatos à Presidência da República uma carta aberta em defesa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), onde cobram um compromisso formal dos candidatos com a manutenção, fortalecimento e valorização da estatal.

A carta chega em um momento em que o futuro das empresas públicas ocupa lugar central na disputa eleitoral, em que o candidato Flávio Bolsonaro declarou publicamente, durante evento do BTG Pactual, que pretende privatizar cerca de 95% das empresas estatais.

Na carta, as entidades apresentam quatro reivindicações:

  • aprofundar o papel da Conab como articuladora da agricultura familiar, com ampliação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa de Vendas em Balcão (ProVB);
  • transformar a segurança alimentar em compromisso nacional suprapartidário, que não oscile conforme o ciclo eleitoral.
  • manter e fortalecer a função de estoque público da Conab, rejeitando reduções da capacidade de estocagem em nome do “enxugamento da máquina”;
  • garantir estabilidade orçamentária e autonomia executiva à companhia, já que a volatilidade de recursos enfraquece a função de emergência dos estoques;

No documento as entidades afirmam que a companhia não pode ser tratada como peça de ajuste fiscal. “Num país que ainda tem dezenas de milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, a Conab não é uma opção, é a última linha de defesa da soberania alimentar nacional”, afirma o texto.

O documento destaca uma série de ações da Conab, como a formação de estoques públicos, com a compra prevista de 127 mil toneladas de arroz, para enfrentar possíveis choques de oferta decorrentes do El Niño.

O texto relembra episódios em que a estrutura da empresa foi acionada em situações de crise. Uma das ações citadas foi a executada durante a pandemia de covid-19, em que os estoques de alimentos da Conab evitaram um quadro mais grave. Outra ação mencionada foi a que ocorreu durante as enchentes do Rio Grande do Sul, em 2024, quando a companhia foi órgão central na distribuição de alimentos às áreas atingidas.

“A defesa da Conab não é uma pauta corporativa, mas um compromisso com a soberania alimentar de mais de 200 milhões de brasileiros”, afirmam as entidades signatárias.

Acesse AQUI a íntegra da carta aberta enviada aos candidatos à presidência do Brasil.

As respostas dos candidatos serão encaminhadas a todos os empregados da Conab no país, para que conheçam o posicionamento de cada presidenciável sobre o futuro da empresa e da segurança alimentar do Brasil.